Em mais um episódio da desastrosa evacuação americana do Afeganistão, até a empresa aérea local está fugindo com seus aviões.

A Kam Air, uma das principais empresas aéreas do país, juntamente com a Ariana Afghan, tem tirado seus aviões do país com medo de que novas explosões atinjam seu equipamento. Além disso, o aeroporto será tomado pelo Talibã assim que o último soldado americano sair de lá e isso ainda é uma incerteza para a empresa, que negocia com o grupo extremista a manutenção das operações.
Assim sendo, a companhia afegã, que inclusive fez voos especiais para o Brasil durante a pandemia, e que carrega a fama de ser uma das piores do mundo, tem tirado alguns de seus jatos e mandando para o Irã. Com 12 aviões e de iniciativa privada, a Kam Air enviou ao menos três aviões para o vizinho, fato que foi confirmado pelas autoridades locais.
“Após a escalada de conflitos e tensão no Aeroporto de Cabul, os donos da empresa privada Kam Air pediram a transferência de um número de aeronaves para aeroportos iranianos”, disse Mohammad Hassan Zibakhsh, porta-voz da agência de aviação civil do Irã.
Dados preliminares apontam que o Airbus A340-300 de matrícula YA-KMH, que ficou conhecido no globo após a divulgação de imagens mostrando pessoas invadindo a aeronave e até subindo no jato, já foi para o Irã.

A aeronave teria decolado de Cabul para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde foi inspecionada. Após ser liberada, foi transladada para Meshed, cidade iraniana próxima da fronteira com o Afeganistão e Turcomenistão.
Outro A340, todo branco e de matrícula YA-KMU, que inclusive voou no ano ado para Cabo Frio, também seguiu para Meshed acompanhado de um Boeing 737-300 registrado como YA-KMK. Ainda estariam no Aeroporto de Cabul o A340-300 de matrícula YA-KME, além de seu irmão do mesmo modelo YA-KMT, e os restantes 737-300 da empresa.
A Kam Air não tem previsão de volta de seus voos, e isso pode não ocorrer no curto ou médio prazo, já que existem diversos relatos de que as tripulações da empresa já foram embora do país.